Sexto Sentido

sexta-feira, novembro 24, 2006

Inferno Confuso do Ciúme


Como dizia Quevedo, "da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente. E será que mesmo os que a padecem são capazes de explicá-la? Como a devem rotular: loucura furiosa? Inferno confuso? Verdugo do coração? "
Eu digo que sentir ciúme é meu pior defeito... isso porque ninguém sofre com isso mais do que eu. Nem mesmo os alvos desse maldito sentimento que teima em aparecer por aqui. Ciúme é uma loucura furiosa, que dói, que machuca, que enlouquece... Nos faz viver nesse Inferno confuso que falou Quevedo. Realmente, percebo que isto é uma doença... Há algum tempo atrás tinha motivos para alimentar esse sentimento cruel, namorei com uma pessoa que frequentemente me dada razões para ser ciumenta. Então... achava que ele provocava isso em mim, que quando o relacionamento passasse, o ciúme iria junto. Pois é... ele foi, o ciúme ficou. Aqui dentro quietinho, só esperando uma nova oportunidade pra se manifestar. E esse sentimento é tão traiçoeiro que não perdoa nada... Encontrei uma pessoa que não me dá motivo algum... nada! É a pessoa mais sincera e verdadeira que eu conheço... jamais me trairia! Porém, esse monstro chamado "ciúme" encontrou formas de não me abandonar... de jeito nenhum! Se transformou. Daí, compreendi a frase do Mestre Shakespeare, que diz que "os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce." Meu ciúme não tem motivos, ele simplesmente aparece nas banalidades da vida... Meu ciúme me castiga, pois não tem fundamento. Nem razão de ser. Passa o tempo tentando descobrir formas de se manifestar. E não sei como me livrar dele!
Confesso que sempre fui ciumenta com meus amigos, com meus pais, com minhas coisas... Mas depois daquele árabe, nunca mais fui a mesma. Hoje, sofro com um sentimento que existe sem motivos, simplesmente porque um dia os tive.
Então, mais uma e a melhor do Mestre pra encerrar o post:
Meu Senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes, que escarnece do próprio pasto que o alimenta. Quão felizardo é o enganado que, cônscio de o ser, não ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora. (Shakespeare)

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