Sexto Sentido

segunda-feira, novembro 27, 2006

Lembre-se

O sol e o vento discutiam sobre qual dos dois era mais forte. O vento disse:
- Provarei que sou o mais forte. Vê aquela mulher que vem lá embaixo com um lenço azul no pescoço? Aposto como posso fazer com que ela tire o lenço mais depressa do que você.
O sol aceitou a aposta e recolheu-se atrás de uma nuvem. O vento começou a soprar até quase se tornar um furacão, mas quanto mais ele soprava, mais a mulher segurava o lenço junto a si. Finalmente, o vento acalmou-se e desistiu de soprar. Logo após, o sol saiu de trás da nuvem e sorriu bondosamente para a mulher. Imediatamente ela esfregou o rosto e tirou o lenço do pescoço. O sol disse, então, ao vento:
- Lembre-se disso: "A gentileza e a amizade são sempre mais fortes que a fúria e a força."

domingo, novembro 26, 2006

Conto do Rei e do Sábio


Certa vez um rei sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado e mandou chamar um sábio para que interpretasse o sonho.
- Que desgraça, senhor! - exclamou o sábio - Cada dente caído representa a perda de um parente de Vossa Majestade...
- Mas que insolente! - gritou o rei- Como se atreve a dizer tal coisa?
E chamou os guardas e mandou que lhe dessem chicotadas. Mandou também que chamassem outro sábio para interpretar o mesmo sonho. O outro sábio chegou e disse:
- Senhor, uma grande felicidade vos está reservada! O sonho indica que ireis viver mais que todos os vossos parentes.
A fisionomia do rei se iluminou e mandou dar cem moedas de ouro para o sábio. Quando este saía do palácio, um súdito perguntou:
- Como é possível? A interpretação que você fez foi a mesma do seu colega. No entanto ele levou chicotadas e você moedas de ouro!
- Lembre-se sempre, amigo - respondeu o sábio - Tudo depende da maneira de dizer as coisas... E esse é o grande desafio da humanidade. É daí que vem a felicidade ou a desgraça; a paz ou a guerra. A verdade deve sempre ser dita, não resta a menor dúvida, mas a forma como deve ser dita... é que faz a diferença.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Pra Pensar...

O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica. (Norman Vincent)

Inferno Confuso do Ciúme


Como dizia Quevedo, "da raivosa paixão que resulta do ciúme, só os ciumentos podem falar adequadamente. E será que mesmo os que a padecem são capazes de explicá-la? Como a devem rotular: loucura furiosa? Inferno confuso? Verdugo do coração? "
Eu digo que sentir ciúme é meu pior defeito... isso porque ninguém sofre com isso mais do que eu. Nem mesmo os alvos desse maldito sentimento que teima em aparecer por aqui. Ciúme é uma loucura furiosa, que dói, que machuca, que enlouquece... Nos faz viver nesse Inferno confuso que falou Quevedo. Realmente, percebo que isto é uma doença... Há algum tempo atrás tinha motivos para alimentar esse sentimento cruel, namorei com uma pessoa que frequentemente me dada razões para ser ciumenta. Então... achava que ele provocava isso em mim, que quando o relacionamento passasse, o ciúme iria junto. Pois é... ele foi, o ciúme ficou. Aqui dentro quietinho, só esperando uma nova oportunidade pra se manifestar. E esse sentimento é tão traiçoeiro que não perdoa nada... Encontrei uma pessoa que não me dá motivo algum... nada! É a pessoa mais sincera e verdadeira que eu conheço... jamais me trairia! Porém, esse monstro chamado "ciúme" encontrou formas de não me abandonar... de jeito nenhum! Se transformou. Daí, compreendi a frase do Mestre Shakespeare, que diz que "os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce." Meu ciúme não tem motivos, ele simplesmente aparece nas banalidades da vida... Meu ciúme me castiga, pois não tem fundamento. Nem razão de ser. Passa o tempo tentando descobrir formas de se manifestar. E não sei como me livrar dele!
Confesso que sempre fui ciumenta com meus amigos, com meus pais, com minhas coisas... Mas depois daquele árabe, nunca mais fui a mesma. Hoje, sofro com um sentimento que existe sem motivos, simplesmente porque um dia os tive.
Então, mais uma e a melhor do Mestre pra encerrar o post:
Meu Senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes, que escarnece do próprio pasto que o alimenta. Quão felizardo é o enganado que, cônscio de o ser, não ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora. (Shakespeare)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Ano que vem...


Ano que vem vou me formar...
Ano que vem mudarei de trabalho...
Ano que vem minha peça entra em cartaz...
Ano que vem estaremos com a "Salomé", em cartaz, tbm!
Ano que vem serei a mulher mais feliz o mundo.
Ano que vem farei uma festa enorme...
Ano que vem amarei incondicionalmente...
Ano que vem serei a mais amada de todas
Ano que vem pensarei em casar!
Ano que vem juntarei meus amigos e beberemos muita tequila.
Ano que vem vou dizer eu te amo...a todos os que amo.
Ano que vem vou pra praia de férias.
Ano que vem vou aprender a dirigir.
Ano que vem vou dançar a dança do ventre lindamente vestida de odalisca!
Ano que vem farei outro curso de tango...
Ano que vem vou me retirar pra meditar!
Mas o ano que vem... talvez nem chegue...
Então, vou aproveitar o que resta desse pra convidar meus amigos pra aquela noite de tequila.
Vou pra aquela noite de comilança na casa do Jeff com a Gisele...
Então, vou me inscrever num curso de dança e procurar uma roupa de odalisca...
Então, vou escolher um final de semana, pegar uma mochila, jogar meu biquini dentro e ir visitar o mar.
Então, vou dizer aos meus pais que os amo... e aos meus amigos, tbm!
Então, vou te pedir em casamento e dizer que nada me faz tão bem quanto tua presença na minha vida!

quinta-feira, novembro 16, 2006

Frase do Mestre.

As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

Willian Shakespeare

Mais uma do García Lorca!

LUZ

Es la mágica hora sentida del ocaso.
El monte se desangra. La luz es rubia.
Yo marcho por el sendero con aire de fracaso,apagada la frente y rojo el corazón.
El poeta es la sombra luminosa que marcha pretendiendo enlazar a los hombres con Dios,

sin notar que el azul es un Sueño que vive y la Tierra otro sueño que hace tiempo murió.
El azul que miramos tiene la gran tristeza de no presentir nunca donde su fin está,

y Dios es la tristeza suprema e imposible pues su porqué profundo tampoco puede hablar.
El secreto de todo no existe.

Las estrellas son almas que al misterio quisieron escalar.
La esencia del misterio las hizo luz de piedra,
pero no consiguieron internarse en su Paz.

(Que lindo!!! Dei um livro dele para minha amiga secreta "Cris", no DAD. E ganhei um do Woody Allen, da minha querídíssima amiga Elisa. Que aliás, está na série "A Ferro e Fogo", da RBS - assistam...)

¿QUE TIENE EL AGUA DEL RIO?


¿Qué tiene el agua del ríoesta tarde tan sentida
que parece que mirandoal claro cielo suspira?
Cielo chico y tembloroso,viejo espejo de las vidas

¿qué romance vas cantandoentre los lirios cautiva?
¿Te has enamorado acaso,al pensar que eres tú mismalas nubes blancas del cieloy el verdor de la campiña?
¿Piensas que tus ondas claras,eterna leyenda lírica,son llantos de tus entrañasen vez de profundas risas?
Agua mansa. Cementerio de las mimbres carcomidasque os pone epitafios,incensarios de algas vivas.
Azul sendero de ranas,flautas verdes de tus linfas.
Ahora sobre el cielo,alma honda y dormecida

¿qué tienes en el remansodonde te paras tranquila,monstrándonos la alamedacon nieblas de aparecida?
¿Qué tienes en tus corrientes,transparente maravilla,que te llenas de burbujas,bocas por las que suspiras?
Acaso pasas soñandoalgo que el hombre no olvida.

Acaso nos vayas dando,al pasar, tu despedida, porque lenta vas pasando con unas gotas distintas.
¡Qué suspiros se te escapanbajo la tarde tranquila,a la par que ruiseñoresentre los álamos trinany el sol amarillo y viejoen el monte se reclina!

¡Cómo sientes la llegadade la noche, que es tu amiga;cómo esperas a la lunaque te embruja y acaricia!
Agua santa del remanso,con qué tristezas caminas.
Se diría que eres mártirde una gran melancolía,agua fría de este río
que en la vega va sin prisa.
Si Dios te da corazón,de fijo que no podríasestancarte en los remansos,agua dulce de la umbría.

Quisiera por tu caminoirme a la ventura un día.
27 de julio. Junto al agua.


(Poema de Gracía Lorca)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Isso é bom!


Hoje o dia começou lindo... o sol enfim brilha suave e caloroso na minha janela! Um convite das flores pra passear, pra agarrar na cintura do meu guri e ir em frente... sorrindo, brincando e colorindo a vida com todas as cores festivas que meus anjos me enviam dia-a-dia. É, estou feliz! E isso é bom... muito bom!

segunda-feira, novembro 13, 2006

e esse vazio...

Hoje senti um vazio...
cheguei em casa e não tinha mais meu tczinho pra escrever!
Bom... que venha a banca, agora!

Olha que linda essa música...

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
O teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer


Composição: Pixinguinha e Otávio de Souza

segunda-feira, novembro 06, 2006

Frase:

A vida parece um romance mal feito

no meio...

No meio, entre o céu e a terra...
Já dizia o sábio Hamlet:
Há muito mais mistérios do que supõe a nossa vã filosofia.
Metade não é tudo... e não é nada
É simplesmente o meio... uma parte de dois.
Que não é um por inteiro e nem o todo do outro.
É mais ou menos... não é mais, nem menos
É o meio, tô no meio, na divisão...
Dividindo!
Encurralada...
Na corda bamba de sombrinha não se soma...
Azar... já cantava Elis... a esperança é equilibrista
E sabe que o show de todo artista tem que continuar!

quarta-feira, novembro 01, 2006

A Conversa...

Me pegou pelo pulso e me apertou com força.
Depois se afastou à distância de um braço inteiro.
E os dedos de sua outra mão pousou na mina testa.
E mergulhou numa leitura tão demorada e profunda do meu rosto,
Como se quisesse desenhar. Ficou um tempo enorme assim...
No fim, uma sacudida curta no meu braço.
E três vezes com a cabeça. pra cima. pra baixo.
pra cima.pra baixo. pra cima. pra baixo.
Esoltou um suspiro tão sentido e aliviado, que parecia que o corpo se desfazia.
E sua vida morria. Feito isso, me deixou.
E com a cabeça virada pra mim por cima do ombro,
Parecia encontrar seu caminho sem os olhos...
Pois atravessou a porta sem a sua ajuda.
E até o fim grudou o brilho deles em mim...

(Ofhelia - Hamlet - do Mestre Shakespeare)