Esperando Godot
Ontem fui ao Teatro de Câmara assistir à peça Esperando Godot, da Boa Companhia - um grupo de Campinas. Bom, não preciso dizer que eu AMEI! Desde que li o texto de Beckett pela primeira vez me apaixonei. A encenação me transmitiu todo o clima gélido da solidão, do homem eternamente à espera de alguém que satisfaça suas aspirações, em meio ao absurdo da existência, a incompreensão, a incomunicabilidade, a insegurança, a carência e o medo do abandono... Características dos textos de Beckett. No geral, adorei a interpretação dos atores, acho que todos estavam muito bem. Mas destaco Moacir Ferraz (Pozzo) e Daves Otani (Estragon) que com toda a naturalidade roubaram para si o drama de seus personagens. Alexandre Caetano, que faz o Lucky , também merece aplausos pelo seu trabalho corporal e seu fôlego durante o monólogo de Lucky. Eduardo Osório interpreta que Vladimir, também está muito bem em seu papel. A direção do espetáculo é de Marcelo Lazzaratto. O espetáculo ainda fará duas apresentações, hoje, dia 07 e dia 08 de setembro! A peça trata-se de Estragon e Vladimir que esperam numa estrada junto de uma árvore por Godot. Querem que Godot resolva o problema de sua existência e tudo está condicionado a sua vinda.Esperando Godot é composta por quatro personagens e um “quase –figurante” : Os dois vagabundos que esperam por Godot, Estragon e Vladimir ; Pozzo e seu escravo Lucky ; e um menino que aparece no final de cada ato para avisar da não vinda de Godot.
O cenário é uma estrada vazia e uma árvore, que no primeiro ato está sem folhas e no segundo aparece coberta com elas.
É utilizada a linguagem do teatro do absurdo, com personagens completamente carentes de sentido.A peça é construída em dois atos. Para Beckett , “ um ato teria sido insuficiente, e três atos teria sido muito” , e segundo Flávio Rangel, “ um ato só deixaria o espectador com a vaga esperança da vinda de Godot no dia seguinte. O segundo destrói essa esperança. Já um terceiro acabaria tornando-se repetição inútil” . Tudo gira em torno da vinda de Godot. Ele é a única solução para os problemas existenciais dos dois vagabundos. Então, eles esperam dia após dia. E
tudo o que fazem é preencher esse tempo de espera. Eles falam através de diálogos muitas vezes desconexos, movem-se e brigam para passar o tempo. Godot, entretanto, não vem. No final de cada dia, um menino surge para comunicar- lhes a falta de Godot ao encontro e lhes garantir a vinda para o dia seguinte. No outro dia, a situação se repete. Na metade de cada ato, surgem mais dois personagens, Pozzo com uma corda guiando seu escravo Lucky pelo pescoço. A vida desses personagens é transformada de um ato para o outro. Eles põem um pouco de ação na peça, tendo em vista que tanto Estragon quanto Vladimir são personagens extremamente passivos, que negam todo o agir no momento em que depositam em Godot toda sua esperança de salvação e não fazem nada para melhorar sua situação, não procuram por si próprios respostas para sua existência. Eles literalmente cruzam os braços e esperam por Godot. E se Godot não vier, certamente continuarão ali esperando no dia seguinte. Nem mesmo quando decidem se matar tomam a atitude, são seres incapazes de agir e que estão em uma situação estática, a espera. A única coisa que os move é a esperança, mas essa é ilusória e inútil porque Godot jamais virá. O que acontecer com Pozzo e Lucky não interessa para eles, pois isso não interfere na espera. Os dois ( Pozzo e Lucky) servirão apenas como mais uma opção para passar o tempo.
O cenário é uma estrada vazia e uma árvore, que no primeiro ato está sem folhas e no segundo aparece coberta com elas.
É utilizada a linguagem do teatro do absurdo, com personagens completamente carentes de sentido.A peça é construída em dois atos. Para Beckett , “ um ato teria sido insuficiente, e três atos teria sido muito” , e segundo Flávio Rangel, “ um ato só deixaria o espectador com a vaga esperança da vinda de Godot no dia seguinte. O segundo destrói essa esperança. Já um terceiro acabaria tornando-se repetição inútil” . Tudo gira em torno da vinda de Godot. Ele é a única solução para os problemas existenciais dos dois vagabundos. Então, eles esperam dia após dia. E
tudo o que fazem é preencher esse tempo de espera. Eles falam através de diálogos muitas vezes desconexos, movem-se e brigam para passar o tempo. Godot, entretanto, não vem. No final de cada dia, um menino surge para comunicar- lhes a falta de Godot ao encontro e lhes garantir a vinda para o dia seguinte. No outro dia, a situação se repete. Na metade de cada ato, surgem mais dois personagens, Pozzo com uma corda guiando seu escravo Lucky pelo pescoço. A vida desses personagens é transformada de um ato para o outro. Eles põem um pouco de ação na peça, tendo em vista que tanto Estragon quanto Vladimir são personagens extremamente passivos, que negam todo o agir no momento em que depositam em Godot toda sua esperança de salvação e não fazem nada para melhorar sua situação, não procuram por si próprios respostas para sua existência. Eles literalmente cruzam os braços e esperam por Godot. E se Godot não vier, certamente continuarão ali esperando no dia seguinte. Nem mesmo quando decidem se matar tomam a atitude, são seres incapazes de agir e que estão em uma situação estática, a espera. A única coisa que os move é a esperança, mas essa é ilusória e inútil porque Godot jamais virá. O que acontecer com Pozzo e Lucky não interessa para eles, pois isso não interfere na espera. Os dois ( Pozzo e Lucky) servirão apenas como mais uma opção para passar o tempo.
Uma análise que fiz dos personagens:
Vladimir: É o que mais pensa na peça, senão o único. Tenta refletir sobre o problema de sua existência sem chegar à conclusão alguma. É o mais humano dos vagabundos, manifesta sentimentos de preocupação, ternura e proteção para com Estragon. Dá-lhe comida, cobre-o durante o frio, importa-se em saber quem bateu no amigo. Vladimir nunca esquece de seu objetivo: Esperar Godot. Isso faz dele o mais iludido e enganado. Apesar de ser, entre os dois o mais inteligente, é o mais dominado pela falsa ilusão da esperança.
Estragon: É o mais preguiçoso. Freqüentemente esquece das coisas, inclusive da espera por Godot. Nada em Estragon faz sentido. É um personagem medroso, carente ao extremo. E mesmo quando briga com o companheiro e tenta ir embora acaba sempre voltando, pois precisa de Vladimir para compartilhar com ele a desgraça da sua existência. Freqüentemente se entrega ao sono e à comida. Demostra instinto animal e de submissão. É incapaz de se defender, sente-se desprotegido e geralmente, quando está sozinho, apanha.
Pozzo: representa o poder destinado ao fracasso. Ele começa a peça confiante em si mesmo e poderoso, muito arrogante. É o senhor de um escravo, e com isso traz consigo a ilusão de poder e domínio. O Pozzo do segundo ato é um ser reduzido, fracassado que vê a realidade de sua desgraça. Ele volta como cego, não pode ver, não pode mais dominar. Ele precisa de um olhar que valorize seu ser, alguém que lhe seja submisso. Mas no momento em que esse alguém passa a ser submisso, perde sua liberdade e já não tem uma consciência própria, nem um olhar valorizador. Enfim, perde seu valor. Foi o que aconteceu com Lucky e por isso Pozzo diz que dispensará o seu trabalho, mas não o fará pois é dependente do escravo .
Lucky: É uma consciência inativa. Faz apenas o que o seu senhor ordena. Vive como um animal. Dança para distrair Pozzo e pensa apenas quando lhe é ordenado. A única fala de Lucky é um monólogo quase interminável em que ele mistura pensamentos e assuntos desordenadamente, sem sentido algum. É uma enxurrada de registros e fatos que ainda restam em sua consciência. No segundo ato, Lucky surge mudo, reduzindo-se a uma coisa. É totalmente desumanizado. Se antes era tido como um escarvo, um animal sem vontade própria, agora perdeu a linguagem e para Beckett “ é através da linguagem que cumpre-se a essência humana, que realiza-se o homem”.
Mensageiro: Esse personagem aparece no final de cada ato para transmitir aos vagabundos a notícia de que Godot não virá nessa noite e garantir a vinda para o dia seguinte. No segundo ato, ele sempre nega que tenha vindo na noite anterior e desaparece. É quem estimula a esperança dos dois vagabundos. É o único que poderia provar a existência de Godot, o único que tem contato com ele, mas nem mesmo sabe como é Godot.
SAMUEL BECKETT
Beckett nasceu em 13 de abril de 1906, em Dublin, na Irlanda. Mas viveu a maior parte da sua vida na França, para onde se mudou em 1928 quando conseguiu um emprego como tradutor. Assim que chegou em Paris foi apresentado ao escritos francês James Joyce de quem se tornou amigo e apóstolo e que, mais tarde, exerceu grande influência nas obras de Beckett. Sobre o escritor, Beckett publicou seu primeiro trabalho “ Dante...Bruno. Vico...Joyce.”, em 1929. A partir daí, surgiram diversas obras, trabalhos, novelas, poemas, textos dramáticos, peças radiofônicas e para TV e até um filme mudo para o cinema. O espaço de Beckett começou a ser definido a partir do romance “Murphy “(1938), quando começa a aparecer a intensidade de suas obras, seus personagens começam a ser caracterizados pela “ inquietação, a insatisfação eterna, presa em um universo interior que não se pode encontrar repouso senão na destruição e na morte” (Pierre Mélèse). Beckett ficou em Paris durante a II Guerra Mundial e quando a França é invadida pelos alemães, fugiu com a esposa e só retornou em 1945 com o fim da guerra. Nessa época, Joyce que havia sofrido muito durante a guerra morreu e Beckett com a perda do amigo caiu em depressão e enfrentou crises existenciais, angústias e melancolia reforçados pelo alcoolismo e sua amargura com o mundo. Esses sentimentos são expressados com intensidade em suas obras. O homem que Beckett compôs vive em um mundo sem felicidade, sem sentido, iludido com uma falsa esperança de salvação, mergulhado na solidão, no vazio. Enfim, a angústia metafísica. Os discursos são irracionais, diálogos desconexos. Seu teatro é absurdo. Seus personagens ilógicos. O tempo não existe.
Em 1969, ganhou o prêmio Nobel de Literatura. E continuou escrevendo até 1989, quando veio a falecer em 22 de dezembro.
O TEATRO DO ABSURDO
O primeiro manifesto do teatro do absurdo surge em 1896 com a farsa de Alfred Jarry, “Ubu Roi” ; e tem continuidade através de “As Mamas de Tirésias”, de Guillaume Apollinaire, e mais tarde com os surrealistas. Mas essa nova concepção só floresce no século XX, através dos poetas franceses. Com o final da II Guerra Mundial, a produção teatral procura resgatar modelos dramáticos já estabelecidos sem apresentar nada de novo. É um teatro inspirado no passado. Os autores consideravam os temas utilizados no passado atuais e suficiente para o debate ideológico do pós-guerra e para o debate filosófico. Nessa época muitas obras foram centradas na violência e na guerra. Autores como Sartre e Camus fizeram muito sucesso com suas peças. Na França, há uma preocupação com a expansão cultural. Surgem vários teatros com o intuito de levar a cultura ao maior número de pessoas possível. Com essa abertura ao teatro, alguns autores começaram a propor uma nova concepção teatral com forte influência do surrealismo.A destruição de crenças e valores gera um teatro anti-realista, ilógico e que condena o homem à solidão com o objetivo de levar aos palcos o drama existencial. O teatro do absurdo fala do real como se fosse irreal usando de ironia, intensificando as neuroses, falando da falta de criatividade e ousadia do homem, de sua passividade e loucura. Trata o homem como um ser neurótico, psicótico, um sofredor nato. Enfim, proclama a impotência dos seres humanos. Os roteiros exploram a incoerência de seus personagens e o comportamento humano em discussões psicológicas através de uma nova linguagem. Para os autores do absurdo “renovar a linguagem, é renovar a concepção, a visão do mundo” (Ionesco,1950). A linguagem aparece não somente nos diálogos dos personagens, mas em toda a cenografia, na iluminação, nos figurinos e nos objetos utilizados no palco; e muitas vezes o cenário, as roupas dos personagens e até mesmo as formas que os atores utilizam para dizer o texto se tornam mais significativas que o próprio texto que está sendo dito. A mensagem se torna enriquecida através de cada um dos elementos utilizados para contá-la. É um teatro existencialista, mas que nega uma saída lúcida, não admite uma explicação para a existência através do racional. É também um teatro metafísico, cheio de paradoxos e humor negro que promove a reflexão do público.
Beckett nasceu em 13 de abril de 1906, em Dublin, na Irlanda. Mas viveu a maior parte da sua vida na França, para onde se mudou em 1928 quando conseguiu um emprego como tradutor. Assim que chegou em Paris foi apresentado ao escritos francês James Joyce de quem se tornou amigo e apóstolo e que, mais tarde, exerceu grande influência nas obras de Beckett. Sobre o escritor, Beckett publicou seu primeiro trabalho “ Dante...Bruno. Vico...Joyce.”, em 1929. A partir daí, surgiram diversas obras, trabalhos, novelas, poemas, textos dramáticos, peças radiofônicas e para TV e até um filme mudo para o cinema. O espaço de Beckett começou a ser definido a partir do romance “Murphy “(1938), quando começa a aparecer a intensidade de suas obras, seus personagens começam a ser caracterizados pela “ inquietação, a insatisfação eterna, presa em um universo interior que não se pode encontrar repouso senão na destruição e na morte” (Pierre Mélèse). Beckett ficou em Paris durante a II Guerra Mundial e quando a França é invadida pelos alemães, fugiu com a esposa e só retornou em 1945 com o fim da guerra. Nessa época, Joyce que havia sofrido muito durante a guerra morreu e Beckett com a perda do amigo caiu em depressão e enfrentou crises existenciais, angústias e melancolia reforçados pelo alcoolismo e sua amargura com o mundo. Esses sentimentos são expressados com intensidade em suas obras. O homem que Beckett compôs vive em um mundo sem felicidade, sem sentido, iludido com uma falsa esperança de salvação, mergulhado na solidão, no vazio. Enfim, a angústia metafísica. Os discursos são irracionais, diálogos desconexos. Seu teatro é absurdo. Seus personagens ilógicos. O tempo não existe.Em 1969, ganhou o prêmio Nobel de Literatura. E continuou escrevendo até 1989, quando veio a falecer em 22 de dezembro.
O TEATRO DO ABSURDO
O primeiro manifesto do teatro do absurdo surge em 1896 com a farsa de Alfred Jarry, “Ubu Roi” ; e tem continuidade através de “As Mamas de Tirésias”, de Guillaume Apollinaire, e mais tarde com os surrealistas. Mas essa nova concepção só floresce no século XX, através dos poetas franceses. Com o final da II Guerra Mundial, a produção teatral procura resgatar modelos dramáticos já estabelecidos sem apresentar nada de novo. É um teatro inspirado no passado. Os autores consideravam os temas utilizados no passado atuais e suficiente para o debate ideológico do pós-guerra e para o debate filosófico. Nessa época muitas obras foram centradas na violência e na guerra. Autores como Sartre e Camus fizeram muito sucesso com suas peças. Na França, há uma preocupação com a expansão cultural. Surgem vários teatros com o intuito de levar a cultura ao maior número de pessoas possível. Com essa abertura ao teatro, alguns autores começaram a propor uma nova concepção teatral com forte influência do surrealismo.A destruição de crenças e valores gera um teatro anti-realista, ilógico e que condena o homem à solidão com o objetivo de levar aos palcos o drama existencial. O teatro do absurdo fala do real como se fosse irreal usando de ironia, intensificando as neuroses, falando da falta de criatividade e ousadia do homem, de sua passividade e loucura. Trata o homem como um ser neurótico, psicótico, um sofredor nato. Enfim, proclama a impotência dos seres humanos. Os roteiros exploram a incoerência de seus personagens e o comportamento humano em discussões psicológicas através de uma nova linguagem. Para os autores do absurdo “renovar a linguagem, é renovar a concepção, a visão do mundo” (Ionesco,1950). A linguagem aparece não somente nos diálogos dos personagens, mas em toda a cenografia, na iluminação, nos figurinos e nos objetos utilizados no palco; e muitas vezes o cenário, as roupas dos personagens e até mesmo as formas que os atores utilizam para dizer o texto se tornam mais significativas que o próprio texto que está sendo dito. A mensagem se torna enriquecida através de cada um dos elementos utilizados para contá-la. É um teatro existencialista, mas que nega uma saída lúcida, não admite uma explicação para a existência através do racional. É também um teatro metafísico, cheio de paradoxos e humor negro que promove a reflexão do público.


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